Sexta-feira, 15.03.13

Quando a minha filha era pequenita, a minha mãe dizia muita vez "filhos criados trabalhos redobrados", na altura achava aquilo paleio de velhos.

 

Como eu estava enganada...redondamente enganada.

 

Costuma-se dizer e isso também sai da minha boca muitas vezes que ser-se pais não é fácil e não trás instruções, mas pensando bem até somos avisados pelas pessoas mais velhas das "dores de cabeça" que vêm com a chegada de um filho.

 

Não, não estou arrependida de ser mãe, mas nas últimas semanas tenho andado ansiosa, nervosa, preocupada e em parte deve-se à minha filha. Ou melhor à insegurança do futuro da minha filha.

 

Como se pode pensar em futuro quando se trabalha como temporária?

 

Embora os contratados ou efectivos também não estejam seguros, mas sempre têm uma esperançazita maior.

 

Desde que acabou o 12º ano e decidiu não continuar os estudos, muitos currículos foram enviados, muitas inscrições foram feitas nas Empresas de trabalho temporário, no Centro de Emprego e várias candidaturas enviadas.

 

Foram meses de desânimo em que nunca era chamada, até que através de uma pessoa conhecida e depois de fazer testes consegue trabalho. A alegria foi enorme e apesar de não ter experiência nenhuma adaptou-se bem ao trabalho, ao ambiente fabril e aos turnos. Passadas 3 semanas, a empresa de trabalho temporário diz-lhe que no dia seguinte seria o ultimo dia.

 

As encomendas tinham diminuído e como seria de esperar os temporários vieram embora. Passada uma semanita voltam a chama-la e passado uns dias volta novamente para casa. Esta situação verificou-me mais algumas vezes até que a empresa foi "obrigada a dispensar trabalhadores também com contracto. Como boa portuguesa, tento ver o lado bom da coisa "pelo menos ainda trabalhou cerca de 6 meses no ano anterior".

 

Depois dessa empresa já trabalhou em várias...sempre temporariamente. Umas vezes dias, outras semanas...

 

Senão conhecesse a realidade do país, se não conhecesse vários casos e se não a chamassem várias vezes para a mesma empresa diria que o problema era dela, mas é uma realidade cada vez mais "normal" de todas as idades e em todos os empregos.

 

E perguntam vocês o que tem isto a ver com ser-se pais?

 

Lembram-se quando os filhos andavam na escola e faziam testes ou faziam alguma actividade nova em que o vosso coração ficava apertadinho de ansiedade?

 

Pois é exactamente assim que me sinto diariamente.

 

Cada dia que ela chega do trabalho olho para o seu rosto à procura de indícios se continua empregada, tal e qual quando chegava da escola e olhava à procura de sinais que as coisas tinham corrido bem...



publicado por momentosdisparatados às 10:02 | link do post | comentar | ver comentários (14) | favorito


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