Quarta-feira, 16.10.13

Adoro os meus pais, mas há coisas neles que me irritam profundamente. Depois de uma visita deles sinto-me irritada, enervada, desiludida e ao mesmo tempo de consciência pesada.

Trabalho com idosos e muitas vezes tenho de me controlar para não lhes dar respostas "tortas", por isso se calhar tinha o dever de me controlar mais quando lhes disse o que sentia.

A conversa começou devido a uma situação de divorcio na família. Compreendo que pessoas com cerca de 80 anos pensem de forma diferente à minha e que vejam o divórcio com outros olhos, mas considerarem o pior mal do mundo é um pouco demais.

Desde que me divorciei que sinto que sempre que sabem que alguém se divorciou, sem ser da família sentem um certo alivio e até uma certa alegria. Creio que pensam "ah, não é só na nossa família que há divórcios".

Desviei-me um pouco da conversa de hoje para terem a noção do que sentem por passarem por uma situação destas novamente.

Dizia o meu pai " Ela gosta dele e ele não lhe devia fazer o que fez".

-Pois pai, mas a vida tem alguns imprevistos e ninguém é obrigado a viver com quem não quer.

-O que vai ser daquelas crianças?

-Vai ser como todas as crianças, vão sobreviver e serão felizes desde que os pais não se armem em parvos e andem com guerras.

-Ontem ele veio visitar-nos e disse-nos que não podia ficar lá em casa porque o ambiente estava muito mau e que teria de arranjar um sitio para ficar.

Devo dizer que a pessoa em questão não está em Portugal e veio apenas passar uns dias para estar com os filhos.

-E sabes onde ficou?

-Não, mas se me tivesse pedido para ficar lá em casa eu dizia que não.

Eu nem queria acreditar no que estava a ouvir. Ele ia dizer que não ao neto? Os meus pais que são pessoas católicas e bastante justas? Não me contive e com voz indignada pergunto-lhe "mas porque raio não o deixavas ficar lá em casa?"

-O que é que as pessoas iam dizer se eu deixasse um neto dormir lá quando ele deixou a mulher e os filhos?

Eu só podia estar a ouvir mal. Os meus pais iam dizer que não apenas porque as pessoas podiam falar? Não deu para ficar calada e soltei toda as minhas magoas " ah, apenas se ajuda em função do que as pessoas vão falar? Não importa se a pessoa precisa ou se a pessoa é feliz? Então e os nossos sentimentos? É assim que se sentiram quando me divorciei? Envergonhados?"

Eles diziam que não e que eram situações diferentes.

O meu coração estava prestes a rebentar quando lhe digo " Pois, foi precisamente por ter medo da vergonha que vocês iam sentir é que eu fiquei naquele casamento anos a fio. Para não vos envergonhar. Mas sabem que mais? Aprendi que era pela cabeça que tinha de pensar, que o que as pessoas iam dizer não me interessava e que apenas ia lutar para ser feliz ainda que fizesse algumas pessoas infelizes. Fazem ideia de quantas vezes me deitei na minha cama a pensar como o fazer se vos fazer sofrer?

-Mas nós nunca te dissemos para não te divorciares...

-Pois não, mas quando ouvimos esta frase " Coitada da D. Adélia, a filha vai divorciar-se e ela nem sai de casa com vergonha, está tão doente" pensamos duas vezes antes de colocarmos os nossos pais na mesma situação.

Esta foi uma frase que ouvi da boca do meu pai há uns anos quando a filha da vizinha decidiu deixar o marido, uma vez que  ele tinha várias amantes. E ainda achava normal que a tal vizinha tivesse pedido à filha para nunca lhe apresentar mais homem nenhum enquanto fosse viva.

Agora estou aqui a pensar se as minhas palavras, ainda que verdadeiras não foram demasiado duras.

 

 

 



publicado por momentosdisparatados às 16:35 | link do post | comentar | ver comentários (16) | favorito

Sábado, 09.03.13

 

Depois do dia terrível que tenho tinha tido estava decidida a ficar em casa.

 

Não via a hora de me esticar no sofá espezinhada rodeada dos gatos, quando recebo um telefonema de uma amiga para ir ter com ela. Confesso que essa ideia não me agradava nada, mas vendo a necessidade dela de desabafar não tive coragem de lhe virar as costas.

 

Como não estamos juntas com frequência (o telefone serve para algumas confidências), achei que deveria levar alguma coisa às pestinhas aos putos. O problema é que não tinha nada para eles, quer dizer achava eu, mas o maridão disse-me "porque não levas uma embalagem de Milka?"

 

Acredito que aquelas palavras lhe tenham saído sem pensar e que se tenha arrependido logo de seguida, sim porque para um guloso do tamanho do mundo oferecer algo que adora não deve de ser muito fácil.

 

Antes que me mandasse ao hipermercado, agarrei no pacote de Choco Moooo e nuns folhetos de desconto e saí.

 

Achei graça aos putos quando viram o pacote e disseram "olha a vaca lilás". Ficaram sossegadinhos a devorarem as bolachas enquanto nós conversávamos.

 

O assunto era sério...O banco ia ficar-lhe com a casa.

 

Eu sabia que financeiramente as coisas não estavam bem, mas ainda assim foi um choque saber que ia ficar sem casa. Falou sobre as dividas que ela e o marido foram acumulando ao longo dos anos que foram casados, o divórcio e a perda de emprego dela.

 

Na altura do divórcio ela decidiu ficar na casa, já que tinha sido construída no terreno que os pais lhe deram, praticamente pegada à deles e construída com a muita ajuda deles.

 

Agora o drama maior não era ficar sem casa, mas contar aos pais que aquela casa que eles tinham ajudado a construir e aquele terreno que lhe tinham dado iria ser do banco. Estava desesperada, pois para os pais o divórcio já tinha sido um desgosto e agora achava que a mãe não ia resistir a ver outras pessoas a viverem na casa que tinha sido da filha.

 

Compreendo perfeitamente a angustia dela e até me arrepio de imaginar estar no lugar dela.

 

Ela tem a noção de que tanto ela como o marido deram passos maior do que as pernas e que mesmo que não tivesse perdido o emprego a situação seria igualmente catastrófica.

 

Contou-me que levou muito tempo até aceitar que estava a ficar pobre, tanto mais que deixou de pagar a casa e continuou a pagar o colégio e as actividades dos putos (futebol, musica, piscina, etc), continuou a ir jantar fora com os amigos, continuou a ir à cabeleireira todas as semanas (e diga-se, bem cara), continuou a ter "senhora das limpezas" e continuou a "sustentar" um carro que bebe mais que um bêbado (palavras dela).

 

Confessou-me que durante anos viveu de aparências e para as aparências.

 

Nada que cá em casa muitas algumas vezes não o comentássemos.

 

No final, agradeceu por eu a ouvir, segundo ela estava mais leve e capaz de enfrentar os pais. Também não me parece que tenha outra alternativa.

 

Que lhe poderia dizer?

 

Que tinham sido irresponsáveis?

 

Que tinham vivido acima das possibilidades?

 

Que tinham tido as prioridades trocadas?

 

Que os jantares, as actividades dos putos, o carrão (XPTO), que o cabeleireiro, a empregada de limpeza, as férias pagas a crédito e as roupas de marca eram coisas segundarias?

 

Não valia a pena...ela sabia e apenas queria desabafar e eu como amiga estava ali para a ouvir.

 

Tanto que necessito de tranquilidade sinto-me...triste, angustiada e ansiosa (para saber o desfecho destas vidas).

 

 

 

 



publicado por momentosdisparatados às 10:18 | link do post | comentar | ver comentários (10) | favorito

Sábado, 16.02.13

Hoje em conversa com uma amiga falávamos de filhos, de como não é fácil ser-se pais, de como "controlar" os filhos e que quantidade de liberdade se deveria dar.

 

Esta conversa trouxe-me à memória duas situações: algumas discussões que tive com o meu ex. marido eram relacionadas com a "muita liberdade" que eu dava à nossa filha e um triste acontecimento relacionado com a falta de liberdade que dava à enteada.

 

Se antes do divórcio as nossas discussões eram diárias e muitas vezes relacionadas com a nossa filha, claro que depois do divórcio as discussões, ou melhor os nossos pontos de vista não se alteraram. Felizmente que depois do divorcio conseguíamos ter conversas cordiais e civilizadas, embora os pontos de vista fossem completamente opostos.

 

Sempre tive a convicção de que fazia pior não ter NENHUMA liberdade do que ter demasiado.

 

Quando nos divorciamos a filhota tinha cerca de 7 anos e fui-lhe dando a liberdade consoante via que a podia dar e que a merecia. Sempre tivemos muita ligação, talvez o autoritarismo do pai tenha facilitado esta forte ligação. Com cerca de 15 anos começou a pedir para sair com as amigas à noite. Na altura eu já tinha refeito a minha vida com outra pessoa e claro que conversámos sobre estas saídas. Tivemos a mesma opinião e não víamos problema em de vez em quando ela sair com as amigas, ainda mais sendo o local escolhido, o sítio que eu e o meu marido frequentávamos. Não andava "em cima “dela, mas por vezes "deitava o olho". Depois veio a fase das discotecas. Estas saídas deixavam-me mais com o coração apertadinho, mas ela estava a crescer e eu continuava a confiar nela e nunca tinha tido problemas. E uma das coisas que também me tranquilizava era o diálogo, tanto comigo como com o meu marido não havia problemas de falar fosse do que fosse. Nestas saídas umas vezes eu ia leva-la com as amigas, outras eram os outros pais. Claro que havia hora de chegar...mais coisa menos coisa.

 

O pai era completamente contra estas saídas e eu era uma irresponsável que não sabia dar-lhe educação e mais, chegou a dizer-me que o dever de um pai é dificultar ao máximo a vida aos filhos para que eles soubessem que a vida não era fácil.

 

Ora aqui a "Je" não concordava nada e dizia-lhe "Eu dou-lhe a liberdade que ela merece e quando lhe aparecerem as dificuldades da vida ela irá certamente saber lidar com elas e se não souber estarei aqui para a ajudar".

 

Algumas vezes, ele dava-me exemplos de como educava a enteada (cerca de 1 ano mais nova que a minha filha), achando ele que mudaria de opinião e em vez disso arrepiava-me com alguns desses exemplos.

 

Por vezes cá em casa comentávamos essa tal educação, rígida e exagerada e a opinião de nós os 3 era que um dia a miúda faria um disparate.

 

Infelizmente assim foi...saiu de casa logo a seguir a fazer 18 anos e durante várias semanas não souberam dela.

 

Eu muitas vezes deitava-me na minha cama e em vez de dormir pensava na miúda (sou mãe!), onde estaria, como estaria, se tinha comida, se tinha frio...

 

Não fiquei feliz com esta situação, até poderia pois, tanta vez lhe disse que não dar liberdade era muito pior do que dar, mas não faz parte de mim ficar feliz com as desgraças dos outros.

 

Gostaria de dizer que esta infeliz história serviu para melhorar a relação dele com a nossa filha, que serviu para ele ter orgulho na nossa filha e que serviu para admitir que eu até à data dei a melhor educação à nossa filha, mas infelizmente...tudo na mesma.

Ser pais não é fácil e não trás instruções, mas rigidez a mais não faz bem.

 

 

 

 



publicado por momentosdisparatados às 14:50 | link do post | comentar | ver comentários (15) | favorito

Quinta-feira, 01.03.12

Em conversa com algumas colegas falávamos do namoros dos filhos, quando soube que uma das filhas de uma colega já não namorava. Não que isso tenha algum mal ou que seja algo de extraordinário, mas soube de algo que me deixou a pensar.

Ora a jovem(maior de idade, mas muito jovem) namorava com um rapaz com deficiência motora e a certa altura comprou um carro em nome do namorado, certamente para ir buscar alguns benefícios.

Segundo a minha colega, a filha ia pagando ao namorado e agora que o namoro acabou ia continuar a fazer a mesma coisa, já que ele não estava interessado em ficar com o carro.

Ora a minha cabecita começou logo a pensar...e se a jovem fica sem emprego e não consegue pagar o carro?

Claro que vai sobrar para o ex. e ele terá de continuar a pagar o carro.

E se o ex. começar a namorar com outra e pensem em casar ou viverem juntos?

Provavelmente este acto irreflectido irá trazer algumas zangas.

E se ele pensar em comprar um carro para ele?

Será que consegue, visto já  ter, supostamente um empréstimo para o outro carro?

Claro que eu não estou imune a que algo do genero aconteça com a minha filha, mas uma coisa é certa jamais a iria apoiar numa tomada de decisão destas.

Este caso fez-me lembrar de um outro, quando trabalhei numa imobiliária.

Um casal comprou uma casa através de um empréstimo em nome do filho. Naquela altura era fácil contornar as situações(não é de admirar que este país tenha chegado ao ponto que chegou) e o banco aprovava créditos a pessoas mesmo que ganhassem pouco, desde que tivessem fiadores. Neste caso, os pais do jovem eram os fiadores, logo de uma maneira ou de outra teria de pagar.

Mas o problema ( isto na minha cabeça) é que tinham outra filha mais nova. Ora imaginemos um trágico cenário: os pais morriam e quem iria herdar a casa era o filho mais velho. já que estava em nome dele, logo a irmã iria ser prejudicada.

Outro cenario: O jovem casa ou vai viver junto com outra pessoa e decide comprar casa.

Claro que não pode, pois já tem um empréstimo em nome dele embora seja a casa dos pais.

Sempre fui muito ponderada ao tomar certas decisões, especialmente quando se refere a empréstimos e dinheiro.

Muitas vezes em conversa coma  minha filha digo-lhe " filha, o divorcio é uma coisa muito fácil de se realizar, o problema a grande maioria das vezes são as dividas contraídas com empréstimos".

Não lhe digo isto para que nunca case ou que nunca faça um emprestimo, apenas lho digo para que pense antes de se meter nas coisa.

Muitas vezes os jovens e não só, pensam que é tudo facilidades, mas o dia a dia de um adulto responsável não é nada fácil.

 

 

 

 

 

 


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