Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Não me recordo a primeira vez que o coração disparou, mas já
foi há muitos anos e de todas as vezes que me recordo, aconteceu sempre quando
faço o movimento para me baixar.

 

E também me recordo de que todas as vezes estava calma, sem
stress e sem ansiedade. Algumas vezes desaparece tão rapidamente como aparece e
por isso mesmo não costumo dar grande importância. Isto até há uns 6 anos atrás
em que o episódio durou mais de 3 horas e fui obrigada a ir ao hospital,
obrigada pelo meu marido, claro.

 

Nessa altura é que tive a noção que corria risco de vida,
pois os batimentos cardíacos estavam a 190. Sentia um cansaço terrível...pudera
a máquina estava a trabalhar feita louca.

 

Sai de lá medicada e com indicação para ir ao meu médico de
família fazer exames.

 

Fiz tudo, Ecocardiograma, prova de esforço,
electrocardiograma, holter e nada de se descobrir o que se passava.

 

Durante uns meses ainda tomei a medicação para ajudar a
trabalhar o coração de uma forma regular, depois claro sentia-me bem e aqui
menina deixou de os tomar.

 

Embora por vezes sentisse que o coração não trabalhava de
forma regular, não voltou a disparar, ou quando disparava voltava rapidamente
ao normal...até ontem.

 

Eu só pensava" Isto vai passar e se não passar depois
de acabar as higienes e dar o pequeno-almoço vou às urgência”. Pois estava
erradíssima, além de não abrandar ainda acelerou mais. Coitado do Sr. M. olhava
para mim e via que eu não estava bem.

 

 Quando a minha colega
veio dar-me um recado eu disse-lhe que não me estava a sentir bem. Mandou-me
logo deitar-me com as pernas elevadas. Ainda reclamei, mas acabei por" dar
a mão à palmatória". Tentei medir a tensão e nada de conseguir, achando eu
que seria do aparelho.

 

Mas estar deitada e ouvir a D. O. tocar à campainha e a
chamar" Oh meniiinas, meniiinas!" estava a dar comigo em doida.

 

Deu-me uma crise de choro de tal forma que soluçava sem
parar... Não podia pensar que as tinha de deixar sozinhas a trabalhar, quando
naquele dia em especial duas mãos faziam muita falta.

 

A minha colega queria chamar o meu marido, mas eu não deixei
e disse-lhe que ia eu a conduzir.

 

- Estás maluca ou o quê? A conduzir sozinha?

 

Eu não as queria prejudicar ainda mais ao irem-me levar e
quanto mais me lembrava mais chorava e mais o coração batia.

 

Quando passei na sala de refeição vários idosos já lá
estavam e claro ficaram aflitos quando me viram naquele estado.

 

Fui agarrada pela cozinheira e foi ela que me levou, mesmo
contra a minha vontade.

 

Segundo ela eu era mais importante que o peru que ainda
tinha de ir ao forno.

 

Teve que me prometer que me deixaria lá e que iria embora e
eu prometi que depois daria noticias.

 

Depois de explicar ao medico o que sentia, a custo pois o
choro era mais que muito foi-me medir a tensão e nada, tentou, tentou e nada
(afinal a maquina da Instituição não estava avariada).

 

Toca a ver a glicemia depois foi colocado o soro com
medicação e 2 comprimidos por baixo da língua, passado alguns minutos voltou a
medir e lembro-me de ver assim de relance, 18 e os batimento 200 e tal.

 

De início ainda me lembrava do trabalho que tinha deixado na
Instituição e da preparação para o jantar de Natal para os meus pais e para o
meu sogro, mas depois a preocupação passou a ser o meu estado. Estava assustada
e relembrei aquela injecção que me tinham dado da última vez que tinha vivido a
mesma situação. Foi assustador pois quando ma administraram achei que ia morrer
naquele momento. Senti o coração a apertar de tal maneira que achei que era o
fim. Afinal a finalidade era parar o coração para ele voltar a trabalhar
normalmente. Felizmente desta vez apesar de estar muito mais acelerado não foi
necessário aquela terrível injecção.

 

Depois de 3 frascos de medicação e ainda mais um comprimido
lá me deram alta, isto apesar do coraçãozito ainda bater 89.

 

Antes de sair o médico disse-me:

 

-Tem esta medicação para fazer durante dois meses e vai à
sua médica para ela passar exames específicos e agora vai para casa
descansar...

 

-Oh Doutor nem pense nisso, eu tenho de ir trabalhar...

 

-Trabalhar? Mas acha que está em condições para andar a
agarrar os velhos?

 

-Eu prometo que não vou fazer esforços, apenas vou ajudar a
dar o almoço e depois vou embora.

 

Sentia-me muito cansada e o peito doía tal era o esforço que
o coração tinha feito, mas jamais conseguia ir para casa e saber que que a
minha ajuda ia fazer alguma diferença (ainda que pouca).

 

Ajudei a dar o almoço, levantei as mesas, almocei com as
colegas e claro que só telefonei ao maridão quando já estava a almoçar.

 

Pois...como seria de esperar levei um ralhete, primeiro
porque devia ter telefonado para ir ter comigo às urgências, depois devia ter
ido para casa.

 

Felizmente com a ajuda do marido e da filha tudo foi feito e
tudo correu bem.

 

Quanto a mim, sinto-me um bocadito "drogadita",
mas agora é para fazer tudo certinho e direitinho, pois não estou com vontade
de sair deste mundo!

 

 Ah, e claro já hoje
fui trabalhar...felizmente os velhotes portaram-se bem e deram uma noite
tranquila.



publicado por momentosdisparatados às 10:12 | link do post | comentar | favorito

31 comentários:
De luadoceu a 27 de Dezembro de 2011 às 10:49
Maria
Compreendo tua afliçao
Com o coraçao nao se brinca
Sofro um pouco de ansiedade...uma vez minha mae teve de me levar as urgencias do hospital,pq coraçao batia tao rapido,que ate doia, nao encontraram nada e estive la horas, mas em pequena tive sopro no coraçao,nao sei se e curavel ou nao,mas dessa vez tive mesmo de ir ver o que se passa,que a dor era tao gdre que nao acalmava,ate chorava,compreendo te tao bem
Mas entao foste trabalhar?O medico nao te tinha mandado p casa?
Tem calma contigo amiga.....familia e velhotes precisam de ti e tu pp tens de cuidar de ti
As melhoras amiga...
Beijinhos Maria


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:04
Vê lá tu o meu estado de loucura que ainda fui trabalhar.
Agora tive de abrandar.
Beijinho


De Francisco a 27 de Dezembro de 2011 às 15:21
Apetece-me dizer assim: "A moçinha tá doida de todo..."
Claro que levou um ralhete. E foi pouco. Então não se diz nada? E depois de tudo, ainda sem estar bem controlado o problema, vai trabalhar? Bem, eu penso que agiria da mesma forma mas aceito que é errado. Primeiro porque só poderá ajudar os outros se estiver bem. Depois porque o seu estado, com essa ansiedade toda, podia piorar. Oh moçinha, com a saúde não se brinca. Há que ter algum tino consigo mesma pois se teima em exageros, pode não ser ajuda para ninguém. Mas, agora que a situação está mais ou menos sob controlo, vamos a cumprir as regras. Ir ao médico, fazer os exames complementares e, cuidar de si. Não são os idosos que mais precisam de si. São o seu marido e filha. Esses sim, pode não parecer mas são aqueles que mais precisam.
Desejo-lhe uma recuperação rápida, que tudo esteja bem e, se conseguir arranjar um saco grande com "juízo", envio-lho pois estou a ver que precisa...
E, nada de excessos, nem no trabalho. Compensará quando estiver melhor.
Um abraço


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:06
Mas essa é que é a verdade "estou louca de todo"
Só pode ser da depressão que foi diagnosticada.
Agora sinto-me anestesiada...nem pareco eu.
Um abraço


De Margot a 27 de Dezembro de 2011 às 16:43
Puxa, mas que aventura! Não vou repetir os avisos, mas mais cuidadinho! E as melhoras!


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:07
Obrigado. agora estoua a ser medicada, não só para a o coração como para a depressão.
Beijinho


De alzheimerdepapie a 27 de Dezembro de 2011 às 22:20
Bem...isso é que foi um susto. E que grande amor ao trabalho de ir mesmo assim auxiliar :
Agora há que seguir as indicações médicas à risca :)
as melhoras.
Beijinhos
P.S.
Vim aqui depois de ler o seu comentário no meu blog


De amulherdetrintaanos a 28 de Dezembro de 2011 às 12:39
Como o hospital pode albergar tanta diversidade de sintomas: eu também vim de lá há pouco, mas por uma razão bem mais feliz! Vim aqui para te desejar um bom ano (já que o Natal já passou) e, depois de ler o teu post, espero que estejas a recuperar. Se calhar foi só um pico de ansiedade (isto do natal é uma azáfama). A minha mãe teve um episódio semelhante o ano passado um dia antes das férias terminarem: assustou-nos imenso, mas depois dos exames feitos, consulta no cardiologista e no neurologista percebeu-se que tinha sido uma espécie de ataque de pânico. Espero sinceramente que fiques bem. Vai dando notícias. Um grande beijinho cheio de energia positiva!!!


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:12
Já sei que o parto correu bem.
já ai passei mas volto a repetir Muitas feliidades.
Quanto ao meu problema, estou medicada para ao coração e para a depressão.
Espero que esta sensação de sonolência passe rápido Beijinho


De olha_por_mim a 28 de Dezembro de 2011 às 15:44
Bem mas que susto...há que ter cuidado com tudo o que tem a haver com o coração...tens de pensar mais em ti...tens de cuidar de ti:)))
Felizmente tudo correu bem...mas cuida-te tá:))
Desejo-te um Feliz Ano de 2012 recheado de coisas boas...mas o essencial que tenhas muita saúde...
Beijocas enormes e até para o ano


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:13
Muito obrigado.
Já estou a cuidar de mim...embora um pouco contra a vontade. Nem pareço eu.
Beijinho


De Marta M a 28 de Dezembro de 2011 às 21:44
Que susto minha amiga...
Tens mesmo que aprofundar o estudo dessa situação e, provavelmente, trabalhar a um ritmo menos acelerado, porque sem saúde, não ajudas ninguém....Muito menos a ti ou aos teus.
Imagino o teu susto e os momentos desesperantes em que tudo nos passa pela cabeça...E logo nesta época. Pois...
Cuida-te, mima-te, porque ninguém o poderá fazer por ti :)
Abraço e, bom, óptimo Ano Novo :)
Marta M


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:15
Olá Marta
já fui ao cardiologista além da medicação para o coração ainda trago medicação para a depressão. Cheguei ao fundo...não deu mais. Beijinho


De marlilas a 29 de Dezembro de 2011 às 19:16
Espero que já esteja melhor e que não tenha abusado muito no trabalho.
Com calma!
Desejo as melhoras.
Beijos e tudo de bom.
Lili


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:18
Muito obrigado.
Agora fui obrigada a por travão. Beijinho


De Sunset a 30 de Dezembro de 2011 às 00:36
Já vi que a partida foi mesmo desagradável! As melhoras e espero que recuperes rápido!*


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:19
Muito obrigado. Foi um susto grande mas já passou agora é ter juizo. Beijinho


De Fátima Soares a 30 de Dezembro de 2011 às 17:33
Fico triste por isso amiga, há situações complicadas mas venho desejar-te para ti e todos que amas um bom 2012 com tudo o que sonhas e ambicionas realizado. Muitos beijinhos obrigada pela tua amizade.


De momentosdisparatados a 25 de Janeiro de 2012 às 22:20
Muito obrigado Fatinha . Nem tenho tido vontade de andar por aqui muito tempo. O sono é mais que muito...a medicação deixa-me sem reacção.
Beijinho


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