Sábado, 16 de Fevereiro de 2013

Hoje em conversa com uma amiga falávamos de filhos, de como não é fácil ser-se pais, de como "controlar" os filhos e que quantidade de liberdade se deveria dar.

 

Esta conversa trouxe-me à memória duas situações: algumas discussões que tive com o meu ex. marido eram relacionadas com a "muita liberdade" que eu dava à nossa filha e um triste acontecimento relacionado com a falta de liberdade que dava à enteada.

 

Se antes do divórcio as nossas discussões eram diárias e muitas vezes relacionadas com a nossa filha, claro que depois do divórcio as discussões, ou melhor os nossos pontos de vista não se alteraram. Felizmente que depois do divorcio conseguíamos ter conversas cordiais e civilizadas, embora os pontos de vista fossem completamente opostos.

 

Sempre tive a convicção de que fazia pior não ter NENHUMA liberdade do que ter demasiado.

 

Quando nos divorciamos a filhota tinha cerca de 7 anos e fui-lhe dando a liberdade consoante via que a podia dar e que a merecia. Sempre tivemos muita ligação, talvez o autoritarismo do pai tenha facilitado esta forte ligação. Com cerca de 15 anos começou a pedir para sair com as amigas à noite. Na altura eu já tinha refeito a minha vida com outra pessoa e claro que conversámos sobre estas saídas. Tivemos a mesma opinião e não víamos problema em de vez em quando ela sair com as amigas, ainda mais sendo o local escolhido, o sítio que eu e o meu marido frequentávamos. Não andava "em cima “dela, mas por vezes "deitava o olho". Depois veio a fase das discotecas. Estas saídas deixavam-me mais com o coração apertadinho, mas ela estava a crescer e eu continuava a confiar nela e nunca tinha tido problemas. E uma das coisas que também me tranquilizava era o diálogo, tanto comigo como com o meu marido não havia problemas de falar fosse do que fosse. Nestas saídas umas vezes eu ia leva-la com as amigas, outras eram os outros pais. Claro que havia hora de chegar...mais coisa menos coisa.

 

O pai era completamente contra estas saídas e eu era uma irresponsável que não sabia dar-lhe educação e mais, chegou a dizer-me que o dever de um pai é dificultar ao máximo a vida aos filhos para que eles soubessem que a vida não era fácil.

 

Ora aqui a "Je" não concordava nada e dizia-lhe "Eu dou-lhe a liberdade que ela merece e quando lhe aparecerem as dificuldades da vida ela irá certamente saber lidar com elas e se não souber estarei aqui para a ajudar".

 

Algumas vezes, ele dava-me exemplos de como educava a enteada (cerca de 1 ano mais nova que a minha filha), achando ele que mudaria de opinião e em vez disso arrepiava-me com alguns desses exemplos.

 

Por vezes cá em casa comentávamos essa tal educação, rígida e exagerada e a opinião de nós os 3 era que um dia a miúda faria um disparate.

 

Infelizmente assim foi...saiu de casa logo a seguir a fazer 18 anos e durante várias semanas não souberam dela.

 

Eu muitas vezes deitava-me na minha cama e em vez de dormir pensava na miúda (sou mãe!), onde estaria, como estaria, se tinha comida, se tinha frio...

 

Não fiquei feliz com esta situação, até poderia pois, tanta vez lhe disse que não dar liberdade era muito pior do que dar, mas não faz parte de mim ficar feliz com as desgraças dos outros.

 

Gostaria de dizer que esta infeliz história serviu para melhorar a relação dele com a nossa filha, que serviu para ele ter orgulho na nossa filha e que serviu para admitir que eu até à data dei a melhor educação à nossa filha, mas infelizmente...tudo na mesma.

Ser pais não é fácil e não trás instruções, mas rigidez a mais não faz bem.

 

 

 

 



publicado por momentosdisparatados às 14:50 | link do post | comentar | favorito

15 comentários:
De DyDa/Flordeliz a 18 de Fevereiro de 2013 às 19:17
É dificil encontrar a dose certa que deva ser usada para que o "caldo" não fique apurado demais e muito menos sem tempero nenhum.

Tudo o que é em excesso tende a "estragar", é o que penso, o que sinto.

Claro que temos casos de irmãos com educação idêntica e resultados díspares.

Acima de tudo há que tentar incutir o sentido de responsabilidade. Se querem liberdade que a vivam com conta peso e medida.
Não é por trancarmos portas que o "perigo" fica do lado de fora. O perigo pode muito bem transformar-se bem junto a nós e por motivos que não controlamos, sendo que a revolta é a primeira arma usada por quem se sente acossado.
Portanto...
Ceder não é fraqueza. Muitas vezes é um acto inteligente e bem ponderado.
Boa semana.




De momentosdisparatados a 24 de Fevereiro de 2013 às 00:05
Felizmente nunca tive problemas, por vezes também é preciso de "sorte" com os filhos, mas não dar liberdade será muito pior.
Bom fim de semana


De Anónimo a 19 de Fevereiro de 2013 às 13:48
Por experiência de me ter sido aplicada a rígida educação comento sobre o afastamento que isso provoca na relação com o pai intransigente, depois há outras variáveis como a personalidade dos filhos, a maturidade e, claro, o tipo de amigos que podem influenciar para o bem ou para o mal. Ainda bem que geralmente há sempre um progenitor mais equilibrado. No meu caso também foi a minha mãe.


De momentosdisparatados a 24 de Fevereiro de 2013 às 00:08
Nem 8 nem 80 como se diz, mas eu acho que o 80 será melhor do que nada. Isto claro como referi que tem de se controlar para ver se a pessoa merece essa liberdade.
Bom fim de semana


De Anónimo a 19 de Fevereiro de 2013 às 13:48
Por experiência de me ter sido aplicada a rígida educação comento sobre o afastamento que isso provoca na relação com o pai intransigente, depois há outras variáveis como a personalidade dos filhos, a maturidade e, claro, o tipo de amigos que podem influenciar para o bem ou para o mal. Ainda bem que geralmente há sempre um progenitor mais equilibrado. No meu caso também foi a minha mãe.


De Sem voltar atrás... a 20 de Fevereiro de 2013 às 13:42
O que eu costumo dizer relativamente a este tema é: "Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!" há que saber dosear a dita liberdade, e talvez por eu e a minha irmã (9 anos mais velha) termos tido uns pais (apesar de bons) demasiado castradores, quando a minha filha tiver idade, vou tentar fazer a "coisa" de forma a não a marcar tanto, como os meus pais fizeram comigo e com a mana! Havia horas para tudo, ir à rua tomar um café, era ir num pé e regressar no otro! Namoros? Só na janela, e dentro de casa eram dias alternado e sempre debaixo dos olhos do pai...sair à noite? Nem pensar, isso eram coisas que as meninas não faziam! Dormir na casa de uma amiga? Fora de questão, cada qual dorme na sua casa? Trabalhos de grupo? Só se fossem dentro da nossa casa e ainda assim, os meninos não eram recomendados! Enfim, a primeira vez que entrei numa discoteca tinha 20 e anos e parecia uma tontinha! A solução que encontrei? Se com a verdade, cedo cheguei à conclusão que não me safava, começei a mentir...e assim, a coisa ia dando resultado! Fiz o mesmo que as meninas da minha idade faziam, fui aos mesmos locais e passei por todas as experências próprias da idade, mas sempre camuflada através da mentira ou de meias verdades! Nunca olhei para os meus pais como "os melhores amigos", até porque nem para isso eu tinha liberdade! Quero que a minha piolha um dia mais tarde venha ter comigo e não tenho medo de me contar da sua vida, que me tenha respeito, mas medo não! Terei sucesso? Só o tempo o dirá.
Um beijinho e boa semana.


De momentosdisparatados a 24 de Fevereiro de 2013 às 00:11
Eu não acho que tenho de ser a melhor amiga da minha filha, mas gosto que ela confie em mim para me contar o que entender.
A minha liberdade nada teve a ver com a que lhe dei e dou, mas eram outros tempos.
Tenho tido sorte com a filha que tenho, também é importante o factor "sorte".
Bom fim de semana


De alzheimerdepapie a 20 de Fevereiro de 2013 às 22:00
A mim costumam me dizer que eu exagero na protecção ao meu filho... gostava de ser mais como tu, mas ainda não consegui cortar o cordão umbilical :)


De momentosdisparatados a 24 de Fevereiro de 2013 às 00:13
Claro que depende da idade , mas eles tem de aprender a voar sozinhos e o que tiver de ser será.
Não é por os protegermos muito que as coisas não acontecem.
Bom fim de semana


De Anónimo a 22 de Fevereiro de 2013 às 18:48
O último comentário anónimo é meu:) sou a filha de pai severo:) bom fds!


De momentosdisparatados a 24 de Fevereiro de 2013 às 00:16


De Anónimo a 22 de Fevereiro de 2013 às 18:48
O último comentário anónimo é meu:) sou a filha de pai severo:) bom fds!


De blogando-me1 a 23 de Fevereiro de 2013 às 21:27
Um post com pano "para mangas".... Por ter sido filha de pais separados, não quer dizer que tenha andado a balda, era teimosa. isso sim e quando magicava uma ideia, seguia para a frente, mas dava-me sempre mal , como daquele vez em que fui proibida de ir a discoteca domingo de tarde e fui, mas foi tempo de chegar e entrar logo no carro da mamã de castigo .... outras vezes conseguia sair, mas sempre com meias verdades.... Em relação aos meus filhos, a mais velha sempre foi muito caseira, ainda é, mas quando começou a namorar, contou a verdade e algumas vezes pedia para sair. Deixava, mas sempre com hora marcada e ela sabia que se não cumprisse, da proxima vez ficava em casa. Sempre dei liberdade, mas com conta, peso e medida. Isto porque a filhas de algumas amigas aconteceu o que tu relatas. Com o filho e visto so ter 15 anos, hoje por acaso foi a um jantar de aniversário, mas sabe que as 11.30h tem de estar em casa, se não para a proxima não vai. Além de mãe, sou amiga e tanto eles como eu temos abertura suficiente para falar de tudo e sobre tudo....

Bjs fofos


De momentosdisparatados a 24 de Fevereiro de 2013 às 00:20
Isto de ser pais não é nada fácil , mas sempre segui o que achei mais correcto e não me dei mal...até a ver.
Desde cedo que confio nela e claro que para isso tive de "investigar um pouco".
Com o pai era "não e não". Não concordo nada e a vida, encarregou-se de lhe mostrar que não estava errada.
Bom fim de semana


De Ocupadíssima a 28 de Fevereiro de 2013 às 19:47
Sem dúvida. Sofri do mesmo.
Quer na dificuldade de pais autoritários e ex marido. Sempre vi que dar liberdade é menos prejudicial que proibir e ainda por cima sem explicar o porque da mesma.
Beijo nas garotas, espero sinceramente que a moça esteja bem, e que aprenda que a rebeldia tb ñ a vai ajudar.
Ser "pai" ñ é fácil, o manual de instruções é a vida e a maturidade que adquirimos


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