Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

Alguns dos muitos utentes lá do Lar não têm visitas, alguns deles mesmo estando lá há anos nunca, mas nunca assisti a uma visita ou a um telefonema.

 

Quase sempre penso nestas situações com um sentimento de tristeza e revolta, mas por vezes penso no que disse uma das formadoras do meu curso, quando foi abordado o tema do abandono dos idosos. Dizia ela "nunca devemos julgar ninguém, pois não sabemos o que aconteceu anteriormente", claro que era um tema bastante polémico e dava sempre grandes discussões.

 

Na minha cabeça e na altura achava que nada justificava o abandono, o afastamento, a mágoa. Passados uns anos o meu pensamento mudou...vejo as coisas de outra forma, talvez de uma forma mais realista e mais fria.

 

A palavra PAI soa-me a ternura, protecção, preocupação, amor, etc. Infelizmente nem todos sabem ser pais, aliás parece-me que não há cursos para ensinar a ser pais e refiro-me aquele sentimento que vem de dentro do coração.

 

Hoje quando o telemóvel tocou às 6 da manhã, trazia a notícia que o pai estava no hospital...o pai do meu marido. Aguardou-se novo telefonema para saber desenvolvimento Por volta da 7 teve alta e lá fomos nós busca-lo. Nada de extraordinário e era o mínimo que se podia fazer, dizem vocês. Pois bem, seria normal sim se fosse um pai que se preocupasse com o filho, que mostrasse que ama o seu filho, que mostrasse que quer o melhor para o filho. Infelizmente nada disso acontece.

 

Dia 21 de Dezembro o meu marido teve um acidente de trabalho que por um acaso o pai soube da notícia nesse mesmo dia e apenas dia 25 quando veio a nossa casa passar o dia de Natal é que perguntou como estava. Achei eu que entretanto ligaria...engano meu. Apenas hoje, quando o fomos buscar ao hospital é que se lembrou de perguntar se já estava a trabalhar. Confesso que tive me controlar para não lhe dizer "está melhor com o seu telefonema e preocupação".

 

Sei que não vai acontecer, pois o meu marido é aquilo que se chama "paz de alma", mas se um dia o pai fosse para um Lar e ele não o visitasse não seria de admirar e seria compreensível.

 

A minha revolta não é apenas com este episódio, mas com muitos mais ao longo dos anos...

 

Este episódio de hoje fez lembrar dos idosos lá do Lar e das visitas que não têm…será que não foram os próprios a fazerem para que isso acontecesse?



publicado por momentosdisparatados às 11:56 | link do post | comentar | favorito

24 comentários:
De Sem voltar atrás... a 18 de Janeiro de 2013 às 12:09
existem pais e paizinhos certo? O meu sogro esteve hospitalizao à 2 dias atrás sem que nada o fizesse prever, o babe ficou em pânico e só não voou até ao Porto na mesma hora pq a situação financeira cá por casa nesta altura do mês é precária...enfim! A idéia que eu tenho dos lares, é que são depósitos...espero que um dia não venha a pagar por esta minha opinião, estamos começados mas não estamos terminados, por isso...espero nunca vir a precisar de "depositar" os meus! Um beijinho no


De momentosdisparatados a 20 de Janeiro de 2013 às 18:23
Ora ai está uma boa frase"há pais e paizinhos ".
Faz-me muita confusão aqueles que não honram a palavra pai, mas infelizmente tenho-me apercebido que há muitos.
Quantos aos lares...alguns são mesmo depósitos , felizmente onde trabalho tratamos os idosos o melhor que podemos. Se assim não fosse eu seria uma infeliz.
A minha opinião é que um idosos só deve ir para uma Instituição quando não há alternativa ou quando ele quer, porque mesmo sendo bem tratado num Lar não substituímos a família .</a> Isto claro quando é uma família .</a> de verdade.
Boa semana


De na primeira pessoa do singular a 18 de Janeiro de 2013 às 12:12
todos têm um motivo, até a falta de motivo.

Mas mesmo assim, não sei se conseguia ignorar por completo um pai ou uma mãe


De momentosdisparatados a 20 de Janeiro de 2013 às 18:26
Eu também não conseguia e tenho a certeza de que se ele precisar eu estarei lá assim como o filho, mas não deixa de ser triste este desligamento, mesmo não havendo nada. Parece que sempre foram assim...distantes.
Não compreendo, mas que posso fazer?
Boa semana


De Life Inc a 18 de Janeiro de 2013 às 13:13
Infelizmente há muitos pais que não o sabem ser... Também tenho um "caso" desses na família. Pessoas que só olham para o próprio umbigo e acham que os filhos estão lá para os "servir". Enfim!

xoxo
cindy


De momentosdisparatados a 20 de Janeiro de 2013 às 18:29
Infelizmente assim é.
Deve fazer parte do feitio da pessoa, seja como for não compreendo.
Boa semana


De eu ando às voltas a 18 de Janeiro de 2013 às 14:21
É sempre fácil dizer "como e que o velhinho está sozinho em casa, não tem familia que o ajude". Mas nem sempre se lembram de perguntar e o velhinho pede ou tem atitudes que façam ter companhia ou ajuda?


De momentosdisparatados a 20 de Janeiro de 2013 às 18:31
Há uns anos pensava de outra forma, mas hoje vejo que nem sempre a culpa é dos filhos. Eles próprios se afasta, ou pior ainda nunca foram pais presentes e preocupados.
Enfim...
Boa semana


De raio-de-luar a 18 de Janeiro de 2013 às 15:04
Tema delicado este e que não se pode generalizar.
Os lares de idosos existem porque são necessários. Hoje em dia mães que trabalhem têm de deixar os filhos na creche com escassos meses de idade, então também não têm como ficar a tomar conta de pais idosos que necessitem de acompanhamento permanente.
Agora no que diz respeito a visitas, independentemente se os idosos estão em lares ou nas suas casas (não esquecer que há muitos que vivem sozinhos e não vêem familiares há anos) há de tudo. Há quem realmente esteja injustamente abandonado e esquecido, há quem tenha sido um grande filho da mãe e agora "merece" essa solidão e abandono, há os que não merecem nem os filhos têm como acompanhar porque uma coisa é morar perto, outra é estar noutro país.
Falando do que conheço: a minha avó materna foi e é uma grande víbora. A mim nunca tratou como neta, a minha mãe foi a filha mais maltratada. De mim não alimentou nada a não ser indiferença. É minha avó porque é mãe da minha mãe. Mais não lhe reconheço. Estou a ser cruel? Talvez. Mas nunca tive qualquer vínculo com ela. Já os meus primos, filhos dos filhos queridos dela, sempre foram os príncipes. Agora cagam na avó (assim como os pais). Nos momentos de aperto em que ela precisa de apoio quem acode? A minha mãe. os outros não querem saber. E a mim revolta-me que a minha mãe vá. Sim, estou a ser cruel. Mas de nós aquela avó não merece nada.
A minha sogra... peste como o diabo. Só tem olhos para a filhinha querida que não vê a mãe há mais de 2 anos. E não, não está noutro país. Está a 2h de Aveiro. A minha sogra é uma víbora. Comigo. E ainda assim digo que ela não merece o desprezo que a filha lhe dá.
Portanto em muitas situações sim, eles têm o que merecem, noutras são vítimas e não merecem a solidão e abandono. E por isso não há como ter uma opinião formalizada. Cada caso é um caso... e quanto a mim acredito que as pessoas colhem aquilo que plantam. Há injustiças, pois há. Mas o universo se encarrega de fazer os seus ajustes.
Bjinhos e desculpa o testamento


De momentosdisparatados a 20 de Janeiro de 2013 às 18:36
Que mais poderei dizer depois do que escreveste?
Concordo inteiramente apenas acrescento "alguns não colhem o que plantam porque os filhos são uns paz de alma".
Beijinho e uma boa semana


De momentosdisparatados a 26 de Janeiro de 2013 às 21:12
É sempre triste o abandono e claro que não o desejo para ninguém, mas passei a olhar de outra forma, de não criticar apenas porque é triste. Cada um é que sabe como reagir, como a forma como é tratado deixa marcas.
Ha pais que nunca deviam de ser pais e filhos que nunca deviam de ser filhos. Agora não estou a falar do meu sogro...também não é assim tão mau, mas tem atitudes que eu não consigo compreender.
Beijinho. Ah, eu gostei do testamento.


De Dalvinha a 27 de Janeiro de 2013 às 16:14
concordo em género,número e grau...disse tudo...plac,plac,plac (aplausos)...boa tarde pra ti.


De momentosdisparatados a 30 de Janeiro de 2013 às 15:30
Obrigado.
Este é um tema que dá pano para mangas, mas tentei dar apenas uma ideia do que penso.
É triste o abandono seja de quem for, neste caso e em relação ao meu sogro não se trata de abandono, mas de ignorar. Já passou uma semana e nada de telefonar para saber do filho ( o filho telefonou varias vezes sem sucesso).
Boa semana


De *Márcia S.* a 21 de Janeiro de 2013 às 18:47
Obrigada por passar pelo meu blog e deixar a sua opinião :).
Quando ao seu post, em parte concordo consigo quando refere que existem certos pais que não o sabem ser, entendo perfeitamente pois já na minha família assisti a "cenas" do género, não comigo mas com outros familiares. De certa forma tem razão em dizer que até podem ter o que merecem os idosos que estão sem uma visita, por outro lado penso da seguinte forma:
- Apesar do que disse ser verdade, existem filhos que não dão valor aos pais que têm e quando os pais ficam 'velhos' e já lhes dão problemas/trabalho depositam-nos no lar, não querendo saber deles e esquecem-se deles. (quando digo que os depositam não me refiro a todos os casos claro... apenas a alguns e sabendo de alguns casos).
De qualquer das formas gostei muito do seu ponto de vista e, como disse, concordo em certa parte...no ponto de vista que referi acima tentei mostrar também o "outro lado", pois tanto existem maus pais como maus filhos. Existem idosos que ficaram sozinhos porque simplesmente ninguém quis saber deles como existem os que ficaram sozinhos porque não souberam "representar o seu papel". Mas, de qualquer das formas acho que nada justifica o abandono e uma conversa muitas vezes resolve muitas coisas.
Gostei muito do seu relato e este é um tema que tem "pano para mangas". Parabéns :)


De momentosdisparatados a 26 de Janeiro de 2013 às 21:24
Claro que existem bons filhos, maus filhos e bons pais e maus pais e ninguém merece ser abandonado, mas há casos e caso. Não estou a referir-me ao meu sogro...as atitudes não chegam para tanto, mas há coisas que faz e deixa-me triste.
També, acredito que que uma boa conversa a grande maioria das vezes façam milagres , mas outras...
Beijinho


De golimix a 22 de Janeiro de 2013 às 10:53
Minha querida, tema sensível este...
Tal como um comentário acima, há casos e casos. E a vida de hoje não permite que tomemos nem conta dos filhos, pois temos que os deixar na creche e nem dos pais.
A minha avó materna também não era um exemplo de avó mas ia visitá-la volta e meia. Era a minha obrigação e fazia-o mesmo por obrigação.
Nunca podemos julgar as feriadas dos outros, os seus fantasmas, não é?

Bjs


De momentosdisparatados a 30 de Janeiro de 2013 às 15:31
É verdade, não podemos julgar.
Boa semana


De Miss_Moi a 23 de Janeiro de 2013 às 10:25
Bom dia.
Existem maus pais certamente, todos os dias vemos notícias sobre isso. Uns batem, outros violam ou abandonam. Esses sim, são maus pais.
Do outro lado temos aqueles pais que não sabem mostrar os seus sentimentos, que têm dificuldade em exprimir as suas alegrias, angústias e preocupações. Não os acho maus pais, acho-os diferentes.
E temos de admitir, ninguém merece ser abandonado num lar. Temos a obrigação de cuidar de quem cuidou de nós.


De momentosdisparatados a 30 de Janeiro de 2013 às 15:35
Claro que ninguem merece ser abandonado, seja quem for.
No caso do meu sogro em relação ao filho não se ode considerar abandono, talvés "ignorar"...embora não compreenda esta forma de gostar acho que a sua frase fez-me pensar "Do outro lado temos aqueles pais que não sabem mostrar os seus sentimentos, que têm dificuldade em exprimir as suas alegrias, angústias e preocupações. Não os acho maus pais, acho-os diferentes"...está correcta.

Boa semana


De alzheimerdepapie a 26 de Janeiro de 2013 às 23:41
O meu pai foi um bom pai, por vezes tínhamos pensamentos diferentes, mas apenas isso.

Muitas vezes sinto remorsos por ele estar num lar, por não estar eu a cuidar dele...mas depois penso que ele está bem, no inicio sentia muito mal com isso, mas agora já compreendo que foi a melhor opção porque ele estando com esta doença seria muito difícil cuidar dele. Ele tem cuidados que a minha casa não teria.

Também há lares e lares e cuidadores e cuidadores. Não é só deixá-los lá ...é pesquisar como são as coisas lá, quem cuida, quem dirige - conhecer.

No caso do teu sogro, podemos ver que o filho felizmente nesta parte, não saiu ao pai, pois mostra uma grande generosidade...


De momentosdisparatados a 30 de Janeiro de 2013 às 15:41
A doença do teu pai faz com que não seja fácil de lidar e em casos como o dele há que pensar também nos cuidadores, neste caso refiro-me à tua mãe. Por mais difícil que seja, foi o melhor.
Sim, felizmente o meu marido continua a preocupar-se com o pai .
Beijinho


De Dalvinha a 27 de Janeiro de 2013 às 16:16
Até emociona ler, família são as pessoas que se preocupam com você o resto é parente. Parabéns pelo post, boa tarde,anjo.


De momentosdisparatados a 30 de Janeiro de 2013 às 15:46
Infelizmente há tanto caso de "parente" em, vez de familia.
Boa semana


Comentar post

mais sobre mim
Abril 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


posts recentes

México - Férias

Depois de quase 2 anos aq...

Férias

Onde estavas com a cabeça...

IRS

Top Páginas - Ontem (11/0...

IRS e os erros

Os nossos governantes têm...

IRS

Vontade de esganar a ciga...

arquivos

Abril 2016

Março 2016

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

tags

2011

2013

a19

abandono

aftas

água

ait

amor

aniversario

aniversário de casamento

aniversario do estaminé

aniversario mãe

anivesário

anivesario

anulação do cartão

arrábida

arrabida

arrendar

artrite reumatóide

aspirina

assalto

assedio

aveiro

avô metralha

banco

batalha

bebés

bijutarias

bipolar

blog

bolinhos

bolo

bookcrossing

bruxo

cabelo

camioneta

campanha

cardiologista

carro

carta

cartão alimentação.

cartão decredito

cartões de credito

casa

cavalete

centro saude

chanel

cheque

cidade

cidade do porto

cigana

cintigrafia

clube da amizade

consulta

deco

destino

divorcios

edp

elaine st. james

electricidade

endoscopia

engano

escapadinhas

exames medicos

ferias

férias

filha

filho

gato

gatos

governo

hospital

idosos

impostos

inspira-me

irs

livros

medicação

medico

medo

milka

mudança

multa

natal

ovelhas

pai

pais

passeio

porto

poupar

republica dominicana

saúde

sinal

sintra

tiróide

trabalho

tunísia

velhotes

vida

vizinhos

todas as tags

favoritos

Vamos, então, por partes

Leilão de eletricidade

Lilica - Cadela solidária

Como fazer novas amizades...

contador de visitas
blogs SAPO
subscrever feeds